
O universo está repleto de pessoas chatas. Em qualquer lugar do globo que você esteja haverá um pentelho de plantão. Seja por falar demais, por ter razão em tudo, o sem justificativa, o dono da verdade, o que só fala e não escuta ou até mesmo o que não diz nada.
Segundo o dicionário Houaiss, chato é aquele que aborrece, irrita, estorva, perturba ou preocupa. Indo mais adentro – literalmente – encontra-se o chato sendo o piolho que habita a região pubiana masculina, nojeira da qual tratarei oportunamente em outro texto.
Atendo-se à primeira definição, de todos os chatos e pentelhos que podemos imaginar, nenhum incomoda e é tão inconveniente quanto o tricampeão mundial de qualquer-coisa.
Este ser, residente perpétuo da masmorra da baixa auto-estima, estende o seu atributo primordial a uma distância inatingível por qualquer outro chato. E cansa, dá preguiça.
O tricampeão mundial de qualquer-coisa conhece tudo. Ele criou Deus, e não o contrário. Ele entende minuciosamente da fisiologia macrobiótica dos átomos e prótons que formaram o universo até a data e hora exata de quando Eva tornou-se mulher, sangrando nos confins do paraíso. Como se não bastasse, sabe diferir se a maçã mordida por ela era do tipo Fuji ou verde.
Não importa as experiências de vida pelas quais você já passou enquanto ser-humano, o tricampeão do mundo de qualquer-coisa supera e vai muito além com sua vasta vivência, contando suas histórias inimagináveis e surpreendentes, buscando, à qualquer custo, a atenção de uma roda qualquer.
Você pode ter sobrevivido à pisadas de elefantes que o indivíduo saca de seu repertório uma história muito mais interessante, de como ele, ou um amigo muito próximo – geralmente muito mais "chegado" que você - sobreviveu à um ataque de hipopótamos em meio à avenida Paulista.
Podes ter sido sequestrado por Bin Laden que ele, ou seu parceirão de sangue, estava junto do Fenômeno Ronaldo quando esse acabava de conhecer Andréia Albertine, o travesti que ferrou – ao pé da letra – aquele jogador de futebol. E ainda mais, Fenômeno ligava pra ele chorando arrependido após o escarcéu que sua vida se tornava.
Nada e nem ninguém, superam as histórias do tri-campeão mundial de qualquer-coisa.
Quando se trata de esportes então, principalmente os radicais, onde a bravura e coragem são essenciais, lá aparece nosso amigo, pomposo ou esboçando uma humildade inerente aos bons, contando de como domou ondas de tsunamis no Havaí, de como faz para manter por dias os 70km/h pedalando no Ultraman do Japão, de como pratica snowboard na garganta dos vulcões mais ouriçados do anel do fogo ou até explicando os meandros da física da raquetada de squash, esporte que domina com perfeição.
E tudo isso, sem falar nas mulheres que já comeu ou de seu círculo social, retendo em seu celular os números mais íntimos de artistas globais, passando por senadores americanos até o mais cruel dos líderes do PCC.
Das raças dos chatos são os piores, como gremlins espalhados pela sociedade, fazendo dos outros os tricampeões mundiais do saco cheio, da audição seletiva e do sorriso amarelo.
Haja paciência.
Aliás, ninguém imagina o que tenho passado com certos tricampeões mundiais...

![]() |
| fonte globo.com |

![]() |
| Fonte - blogueiro Antonio Coelho, de Fortaleza: |
