por Moscou
em 08/01/2010 12:24
Sim, era verão! E do vermelho aveludado daquele Natal cheio de músicas e lamparinas chamejantes se fez os fogos multicoloridos do reveillon. Foi só olhar para cima e lá estavam eles, pipocando no céu, enquanto os indivíduos, na terra ou em alguma dimensão ainda não vislumbrada, se abraçavam, desejavam e trocavam boas energias uns com os outros. Um ano novinho em folha para ser desenhado.
Lembro de olhar para cima e, com o desfoque das águas que caíam do meu espaço – onde nada desmoronava, ainda bem – ver as desilusões, decepções e erros flamejando no ar, virando cinzas do passado soterradas por pás de cal, enquanto eram substituídas por desejos, vontades e promessas para o ano que entrava.
Pulava as sete ondas, ou foram dez, não sei, não lembro. Tinha a impressão de que um tipo de energia cósmica que se conectava por bluetooth, viajava através do barulho das ondas até os meus, levando a eles todos os tipos de boas vibrações. Coisa de hippie, mesmo.
A lua tornou-se um holofote. Iluminava a quem queria. Fossem os bêbados, os siris ou os barcos dos pescadores. O sol, rosado do início, passando pelo amarelo, laranja e finalizando no vermelho, aconchegava e esquentava os corpos que buscavam descanso, ou então lembranças o suficiente para relaxar quando tudo aquilo tivesse fim. Esses momentos geralmente não têm fim.
Longe do cotidiano, das confusões dos horários, das cobranças, das malditas cobranças, todos estavam iguais. Os espíritos costuravam um lugar mágico, cheio de olhares, e sorrisos, às vezes perturbados por uma ou outra caixa de som gritando batidas eletrônicas em demasia.
O lugar tornava-se especial a cada segundo. Em cada onda que explodia na pedra, em cada balanço de mar, de canga, em cada risada que se escutava, em cada volta dos fachos de luz que iluminavam o céu, o mar lá no distante e os olhos dos bem de perto.
Largados na areia, de papo pro ar nada mais queria saber. A ordem era navegar nas ondas do mar, e a preocupação era se o sol queimava demais, qual música escutar ou se a água doce estava quente de arder os lábios, já que a salgada...
O ir embora chegaria em breve, fato quase consumado. Deixaria aquele estado - de espírito - para atravessar outros estados dentro de um automóvel, o que deixou de ser, há muito, castigo. Hoje, mais que nunca – como diria o gordo chato – tornou-se diversão, momento para curtir flashbacks esboçando um sorriso de quina às tantas coisas boas que passamos nos primeiros dias do ano.
Aliás, tamanha é a crueldade e sabotagem humana que desses trezentos e sessenta e cinco dias, vive-se intensamente tão poucos. A sua maioria ali, naqueles dias mágicos por volta do Natal e a virada do ano.
Voltamos da Neverlands meninos. Quase acreditando em Papai Noel ou, ao menos, esperando reencontrá-lo o mais breve possível. Mesmo que venha com um saco enorme, inchado e vermelho. Dane-se. Os panetones nas prateleiras de supermercados são presságios da diversão.
Segundo as sagradas escrituras, aquelas lá, Deus criou a terra em seis dias e no sétimo ele descansou. Sim, ele foi pra praia, deitou na areia e sorriu. Era verão.