A guerra dos mundos.
  por Moscou
  em 04/02/2010 14:45
Os mundos estão em guerra. Pesadelo para os que temem a fragilidade dos seres humanos perante alienígenas de outras dimensões. Afinal, nossas bombas nucleares e degradante evolução nada são comparadas ao conhecimento dos seres de quartzo que viajam entre as galáxias.
 
É um roteiro de filme, certeza velada dos ufologistas (também conhecidos como pinéis ou loucos) e premunição etílica em conversas de botequim para os criativos e vagabundos de plantão.
 
A decepção dessa fantasia, quase róliudiana, é que nossos inimigos não são ETs cabeçudos, de olhos e cerebelo neon cósmico e gosmento de enojar, e que fazem carnificinas terráqueas a laser. Muito menos residem no espaço e usam da tecnologia dos Jetsons para falar ou se locomover. Nada disso.
 
Na atual guerra entre os mundos, bombas não explodem, não há pânico em massa e nosso ego humano prepotente não se esvai no flerte com seres superiores, mais fortes, paranormais e inteligentes.
 
Nossos adversários são ridiculamente menores que nós. Invisíveis a olho nu, e vistos apenas por microscópios durante a sua árdua atividade: ficar imóvel. Assim sobrevivem, sem mexer seus milimétricos corpos em forma de ovos recém estalados na frigideira.
 
São catalogados por nomes e números, inscrição darwiana para os entendidos, formula matemática ininteligível para os desavisados. Alguns vieram de animais, outros do próprio ser humano. Enfim, a ciência explica, mas ninguém entende.
 
Cruéis, muito cruéis; estão em todos os lugares, públicos ou privados, do rico ao pobre, climatizados ou não, viajando entre as tubulações dos ares, na baba alheia, naquele espirro imaculado, dentro do ônibus, na coçada de saco, na sala do escritório, e talvez até dentro daquelas bolhas hipocondríacas.
 
Sua principal arma é a presença. Entram em nosso organismo e esperam nossos anticorpos, pelotão de fronte de guerra paraguaio, os retirar. O mote? Somente um ambiente propício para repousar por alguns dias. Pura inocência.
 
Então, o firme corpo fica febril, a energia diminui, a falante garganta inflama, o pobre intestino abre a boca, o estômago se enrola mais ainda e tudo que se quer é cama. Seja a do hospital ou de nosso porto seguro.
 
Com sorte, vencemos a batalha por volta de uma semana. Reerguemos nossa frágil carcaça e continuamos esperando vir do espaço os seres responsáveis por nossa futura derrocada, cuspindo lasers, combatendo a nossa hegemonia animal e nos colocando em nosso próprio universo nos papéis das formigas.
 
E enquanto isso, noutro mundo bem próximo, lá estão os vírus e bactérias, sobrevivendo aos antibióticos, às mutações químicas e fortalecendo suas estruturas para mais um motim epidêmico bem embaixo de nossos narizes.
 
Uma hora perderemos essa guerra. Se já não perdemos.